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                           A vida e a obra de João Gerdau
     
     Encerramento do programa Die Kolonie Santo Ângelo Zeitung

    Na década de 1880, o governo provincial decidiu liquidar com o sustento de várias colônias do Rio Grande do Sul. Com isso, acabou a autonomia administrativa da Colônia Santo Ângelo. Até então, havia isenção de impostos e o governo pagava para que os colonos fossem instalados nas colônias provinciais. Recebiam subsídios em dinheiro para o transporte, compra de alimentos, ferramentas, demarcação de terras, além do salário dos diretores das colônias. Em geral, os primeiros imigrantes levaram até trinta anos para pagarem suas dividas coloniais.

    O governo retira-se da colonização e em seu lugar surgem as sociedades imobiliárias de colonização. Em 1883 João Gerdau transfere-se para Cachoeira e instala-se na rua Sete de Setembro, principal artéria comercial da pujante cidade impulsionada pelo comércio do arroz. Ao que consta, vários outros comerciantes da ex-Colônia Santo Ângelo seguiram o mesmo caminho. Nesta mesma época, Treptow e Müller, os maiores comerciantes instalam-se em Cachoeira, na mesma rua.

   Com a retirada da administração estatal, Gerdau percebe a importância da comercialização das terras nas margens do rio Jacuí, disponíveis para o plantio do arroz irrigado. Estas áreas haviam sido rejeitadas pêlos pioneiros nas décadas anteriores, em função excessiva umidade da região. Na década de 1890, com o advento da cultura irrigada do arroz, estas mesmas áreas foram muito valorizadas. Toda a chamada Várzea do Agudo foi loteada pela Sociedade Imobiliária João Gerdau & Cia e vendida para os colonos provenientes das antigas áreas de colonização oficial.

    Solidamente instalado em Cachoeira, teve amplas oportunidades de acumular capital. Comprava e revendia produtos coloniais provenientes da região de Agudo e, ao mesmo tempo, era o responsável pela comercialização dos lotes coloniais. Ao que consta, o período da Revolução Federalista (1893-95) ocorreu um recuo de suas atividades comerciais.

    Os filhos Hugo e Walter Gerdau nasceram na Colônia Santo Ângelo. Ambos estudaram na Escola Luterana de Cachoeira, e após prosseguiram seus estudos na Europa. O pai João, aproveitou justamente este período de conturbação política no Rio Grande do Sul, para encaminhar os filhos na Alemanha.

    A cidade escolhida teria sido Altona-Hamburgo, não fosse a cólera que matou 80.000 pessoas, entre os meses de agosto e setembro de 1892. As alarmantes notícias da epidemia impediram que seus filhos estudassem nas excelentes escolas de comércio da velha cidade Hanseática. Acabou escolhendo um dos educandários da cidade de Düsseldorf. Os estudos dos filhos na Alemanha, seguiram o caminho traçado pela racionalidade organizacional e administrativa e na constante melhoria tecnológica das empresas.
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Autor: William Werlang
Locução: Janice Hermes
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    Sempre buscando novas oportunidades, em sua continua e progressiva reinversão dos capitais acumulados, Gerdau decide seguir para Porto Alegre. Inicia os preparativos no sentido de se desfazer do armazém de Cachoeira e da gerência da João Gerdau & Cia.
Em novembro de 1894, foi oficializado o registro da firma Gerdau & Naschhold, atacadista no gêneros alimentícios, situada na rua Vigário José Inácio. A empresa localizava-se próximo do porto para facilitar a importação de manufaturados e a exportação de produtos coloniais. No dia 17 de setembro de 1898, os proprietários solicitaram o encerramento da sociedade.

    Entre os meses de setembro de 1899 e agosto de 1900, João Gerdau esteve na Europa. No dia 2 de fevereiro de 1901, adquiriu em Porto Alegre a sociedade anônima Companhia Fábrica de Pregos Pontas de Paris, situada na rua Voluntários da Pátria, nº 140. Acompanhado do filho Hugo Gerdau retomou a fábrica estagnada, e que é considerada como o núcleo inicial do Grupo Gerdau.   

    O chamado ethos guerreiro aburguesado da sociedade guilhermina, parece ter encontrado sua expressão tanto em livros eruditos, quanto em pensamento e nas ações cotidianas das pessoas envolvidas. Mesmo na América, os imigrantes adotaram em grande parte a influência da cultura predominante do Império Alemão.

    Segundo o sociólogo alemão ELIAS (1997), a burguesia alemã não conseguiu alçar aos principais postos do governo do Império, que assumiu após a derrota da França em 1871. Coube a nobreza hierárquica e guerreira, os principais postos de comando. Neste sentido, a burguesia adotou os principais padrões de comportamento da nobreza militar. Nos postos de comando das empresas, sempre eram lembrados e adotados os valores militares de disciplina e obediência ao comando.

    Esta adequação das relações entre patrões e trabalhadores, no período inicial da industrialização, ao modelo oferecido pela tradição militar, aliado ao racionalismo da organização da produção e comercialização, também foi implantada por João Gerdau em suas empresas no Rio Grande do Sul.

    Nesta época, as palavras-chaves “disciplina” e “honra” adotadas pelos militares  são ao mesmo tempo normas de disciplina nas relações entre patrões e trabalhadores. A tradição com o tempo, convertem-se em símbolos de princípios de vida, fins de toda uma metodologia ideológica de controle e de produção.

    Com estes acentuados gradientes de poder, evidentemente eram encontrados elementos de severidade e de punição rigorosa pelas faltas entre os empregados. A rudeza e a severidade passam a ser uma atitude ideal, como algo a ser apreciado. “Tal idealização da rudeza humana, esse culto da severidade humana podem ser encontrados na literatura e em declarações de setores da burguesia guilhermina.” (Idem, 1997, p. 188).

     João Gerdau, que faleceu em 1917, foi influenciado na colônia, no comércio de Cachoeira e entre a burguesia de Porto Alegre, predominantemente de origem alemã, pela ideologia guilhermina. Com a derrota da Alemanha e a deposição do Kaiser Guilherme II após a Primeira Guerra Mundial, termina também a primeira fase e tipo de organização das empresas da família Gerdau..
  
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