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  Conclusões sobre a vida e a obra de João Gerdau

     No final da década de 1860, quando João Gerdau iniciou sua atividade comercial na Colônia Santo Ângelo, encontrava-se em uma sociedade predominantemente de origem germânica. Entretanto, podemos observar a sua enorme capacidade de negociação com os proprietários nacionais, bem como com os políticos de Cachoeira. Por volta de 1890, vamos encontrá-lo como membro de uma loja maçônica no município de Cachoeira.

    Sua capacidade de negociação era indispensável para entrar em contato com os nacionais e inclusive convecê-los na participação da sociedade imobiliária. Muitos de seus sócios eram brasileiros natos e as dificuldades de relacionamento iniciavam na diferença da língua. Conseguiu conciliar o exagerado nacionalismo germânico (pagermanismo) que predominava na colônia, com os interesses dos proprietários de terras do perímetro da ex-Colônia Santo Ângelo. 
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Autor: William Werlang
Locução: Janice Hermes
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    Provavelmente, entre os anos de 1869 e 1883, período difícil em que esteve na Colônia Santo Ângelo, seu principal interesse era acumular capital para lançar suas bases comerciais no município de Cachoeira. Participava ativamente em todos os eventos sociais da colônia. As dificuldades devem ter sido imensas. Entre os germânicos, as diferenças culturais e de dialetos eram enormes. A maioria étnica de Santo Ângelo era pomerana, povo rude que havia deixado a antiga servidão prussiana, não fazia muito tempo. Gerdau e sua esposa, por sua vez, vinham de uma metrópole de grande tradição cultural e comercial, uma cidade com um secular ideário libertário e comercial.

    Uma de suas normas de conduta, a prudência (máxima hamburguesa), levava-o a tratar bem a todos que o cercava. Prova disso, é que sua residência e a casa comercial serviam como importante ponto de reunião para festas, batizados, casamentos. No diário do Pastor Tüsmann, encontramos registros, de que o comerciante João Gerdau participava como padrinho, seja de casamentos ou de batizados. Acolhia viajantes e amigos em sua residência. Tudo isso granjeava-lhe confiança e respeito entre a população, o que interessava para os seus negócios.

    Entretanto, além do simples proceder cotidiano, havia algo muito mais importante. Todos as suas atividades estavam rigorosamente controladas pela sua organização contábil, como encontramos comprovado na documentação examinada. “O comércio racional teve lugar quando, pela primeira vez, se aplicou uma contabilidade, circunstância que acabou se tornando decisiva para a vida econômica.” (WEBER, 1968, p. 208).

    Com o progressivo aumento da produção agrícola na Colônia Santo Ângelo, Gerdau certamente percebeu que os maiores lucros viriam do arroteamento das áreas de terras particulares da região e do comércio colonial. Outro ramo importante, seria o da confecção e fornecimento de ferramentas e implementos agrícolas.
   
    Segundo o relatório de KOSERITZ de 1878 a Colônia Santo Ângelo era o maior exportador de arroz do Rio Grande do Sul, com 2050 sacas. Dedicou-se ativamente ao comércio de arroz, centeio, feijão, milho, fumo que eram remetidos em carroças para o comércio de Cachoeira. Na época existiam outros importantes comerciantes que atuavam no comércio agrícola, como Frederico Treptow de Agudo e Josef Müller da Picada do Rio.
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