Die Kolonie Santo Ângelo Zeitung
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Autor: William Werlang
Locução: Janice Hermes
O Jornal da Colônia Santo Ângelo

A Saga da Família Gerdau II
- Otto Gerdau, irmão de João foi para a América do Norte e havia fixado residência em Nova York. Walter Gerdau seguiu para o desconhecido na África do Sul. Agora seria a vez da bela e jovem Alwine, considerada uma princesinha da aldeia, tamanha a sua beleza física. A moça se destacava das demais. Era magra, esbelta, tinha lindos olhos azuis, um corpo escultural, bem ao contrário das tradicionais mulheres da época, que em geral eram bem mais gordas e fortes por causa da alimentação e do trabalho na lavoura.
- Alwine Gerdau não eras assim - diziam. Inteligente e amável, era adorada na escola da aldeia e na igreja local cantava no coral. Seu rosto lindo parecia uma boneca de louça, tamanha a perfeição dos seus traços fisionômicos. Tudo isso, causava muita inveja entre as suas primas e as jovens donzelas de Neuenfelde. Ela era ainda mais invejada por ser cortejada pelo jovem João Gerdau, um belo rapaz que tinha muitas pretendentes.
- Mas não - diziam as moças das aldeia - ele (João) se fixara unicamente em Alwine e não possuía olhos para outra jovem.

Neunfelde
Era um dos primeiros dias de junho de 1874. Nos belos campos de Neuenfelde, floresciam as flores sob árvores de frutas. Pequenas e grandes casas no típico estilo hamburguês possuíam em seu redor pequenas hortas atendiam as necessidades do cardápio local.
Alwine olhou a caixa do correio colocada em frente da casa antes de abrir o portão. Em geral as cartas vinham de Hamburgo e de Altona em um barco postal. Alwine costumava colocara as cartas sobre uma grande mesa localizada no centro da cozinha antes de seguir para o seu quarto localizado no segundo piso de uma enorme construção em enxaimel, tijolos à vista e telhado de palha. Praticamente toda a família estava envolvida com a navegação e às vezes vinham cartas do estrangeiro. Algumas delas chegavam da América do Norte, do primo Otto Gerdau, contando das maravilhas do novo mundo. Outro que remetia cartas era o outro primo Walter Gerdau da África do Sul. Para Alwine tudo não passava de um grande exagero. Como uma terra e um povo poderiam ser melhores do que Hamburgo e as sagradas terras de seus ancestrais de Neuenfelde?
Mas desta vez, Alwine teve uma grande surpresa. Uma carta endereçada a ela, vinda do Brasil, da desconhecida Colônia de Santo Ângelo, município de Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul. Quem escrevia era o amado João Gerdau, que partira fazia cinco anos, dizendo que viria para Hamburgo para leva-la para o Brasil, conforme o que havia sido combinado anteriormente. Alwine contava com apenas 16 anos de idade.